“Rua urbana” para EN101

“Queremos que esta via que atravessa a EN101 na Vila de Ponte não seja uma via de atravessamento rápido, mas seja transformada numa rua urbana”

Domingos Bragança apresentou ontem o seu novo plano para a Via do Avepark, que apresenta uma evolução muito significativa face à sua posição inicial. A solução de financiamento encontrada abria a porta a uma solução diferente da via dedicada, com requalificação da EN101, como aqui escrevi no blogue. Essa opção foi seguida, resolvendo o problema dos Vimaranenses e não só do Avepark. É uma boa notícia para Guimarães!

Da minha parte, saúdo a abertura de Domingos Bragança para convergir com André Coelho Lima nesta sua proposta.

Os números de Guimarães: turismo (1)

Portugal tem batido recordes no turismo. O Norte tem batido recordes no turismo. E Guimarães, como se tem posicionado a nível de evolução do turismo?

Há fatores locais que apontam para a excecional posição competitiva de Guimarães no turismo: fomos Capital Europeia da Cultura, temos um Centro Histórico classificado como Património Cultural da Humanidade pela UNESCO, e a marca indelével de Guimarães na História de Portugal. No entanto, de que forma particular é que esta excecionalidade de Guimarães se traduz nos números do turismo?

Analisando os dados da capacidade de alojamento nos estabelecimentos hoteleiros, vemos que Guimarães aumentou a capacidade em 43% de 2009 até 2015 (último ano com dados disponíveis no INE – salvaguarda-se a quebra de série que houve em 2014). Comparando com a evolução dos municípios do Quadrilátero, a relação mantém-se: Guimarães ocupa a segunda posição, tendo em 2015 cerca de dois terços da capacidade de alojamento de Braga. Um dado importante é o desempenho da região Norte como um todo neste mesmo período, em que a capacidade de alojamento cresceu 44%.

capacidade de alojamento

Sendo o aumento da capacidade instalada um bom proxy do crescimento do turismo, importante também é analisar a efetiva utilização dessa capacidade. O indicador disponibilizado pelo INE é o da taxa líquida de ocupação cama nos estabelecimentos hoteleiros. Também aqui Guimarães mantém a segunda posição, tendo, no entanto, descido ligeiramente a taxa de ocupação no período em análise, de 34% em 2009 para 31% em 2015 (dados INE; quebra de série em 2014). O dado mais relevante, para além da comparação entre municípios, é a comparação com a tendência da região Norte, apresentando Guimarães uma taxa líquida de ocupação inferior à da região a partir de 2011, e com exceção para o ano de 2012.

taxaocupação

 

Dos dados analisados resultam algumas conclusões óbvias:

  • O turismo tem crescido significativamente na região.
  • Dentro do Quadrilátero Urbano há diferentes velocidades; a dimensão do turismo em Braga e Guimarães é significativamente superior a Barcelos e Vila Nova de Famalicão.
  • Guimarães teve um ano excecional em 2012. Mas retirando esse ano anormal, o crescimento dos indicadores em Guimarães tem sido inferior aos da região Norte (tanto em capacidade de alojamento como principalmente na taxa líquida de ocupação cama).

 

A mulher no poder local Vimaranense

O Dia Internacional da Mulher, que hoje se celebra, é ocasião para diversas reflexões sobre a igualdade de género. A participação da mulher na política e na administração pública tem sido uma esfera onde esta reflexão mais se tem feito. Olhamos aqui para o papel da mulher no poder político e na administração pública vimaranense.
2015-12-28-1451345696-3530707-464e1e54d65ce275_10520150_920802287946427_620205038_n.xxxlargeNa análise que a seguir fazemos olhamos para os dados publicados e acessíveis nos sites da Câmara Municipal de Guimarães e das empresas municipais.

No poder local, verificamos que as mulheres respondem por 27% da vereação, 21% das presidências de Junta de Freguesia e 35% dos membros eleitos para a Assembleia Municipal. Feito o cálculo global, as mulheres ocupam 30 destes 108 lugares de eleição direta, correspondendo a 28% dos mesmos.

Olhando para a adminitração pública local, verificamos que as mulheres ocupam 2 chefias de Departamento (29%) e 14 chefias de divisão (61%), numa representatividade global de 53% das chefias do Município.

Pior cenário ocorre quando olhamos para as empresas municipais (focamo-nos apenas nas entidades nas quais a Câmara Municipal de Guimarães tem maioria dos votos, de acordo com o mapa do Orçamento de 2017).

Nos órgãos sociais das empresas municipais e entidades equiparadas, as mulheres ocupam apenas 10% dos lugares. Verifica-se a inexistência de mulheres nos órgãos sociais da Tempo Livre, Taipas Turitermas, Turipenha e Avepark.

Da informação publicada nos respetivos sites, não foi possível encontrar nenhuma mulher a ocupar funções de direção executiva em nenhuma empresa municipal e entidades equiparadas. Ressalva-se a inexistência de informação atualizada sobre a direção executiva da Fraterna e da CASFIG, que segundo nos foi possível apurar eram dirigidas num passado não muito distante por mulheres.

A perpetuação do estereótipo dos papéis de género

EDUCATION/BRITAIN/CLASSSe passarmos da análise quantitativa para uma análise mais fina, ressalta que, nos lugares executivos o papel da mulher está concentrado em determinadas áreas: educação, ação social, recursos humanos. É assim na vereação, onde as duas vereadoras com pelouros assumem estas responsabilidades, e é assim nas empresas municipais e entidades equiparadas, onde as chefias (ainda?) ocupadas por mulheres são na área da ação social (CASFIG e Fraterna).

Verificamos aqui um acantonamento do papel decisório da mulher em áreas que correspondem a papéis femininos nos estereótipos tradicionais dos papéis de género, em particular no universo familiar: educação e ação social.

Há, portanto, um longo caminho a fazer pelos decisores políticos no que toca à igualdade de género.

Os números de Guimarães #6

Segundo os dados do INE relativos ao comércio internacional publicados no início do mês, o têxtil continua a ser, de longe, o setor com mais peso nas exportações Vimaranenses.

Usando a nomenclatura NC2, as matérias têxteis e suas obras ultrapassaram os 977 milhões de euros de exportações em 2016. No ano passado, as exportações vimaranenses representavam 19% das exportações nacionais deste tipo de bens, uma subida face aos 16% que valiam em 2005.

export
Fonte: Instituto Nacional de Estatística

Expectavelmente, o calçado foi o segundo setor mais exportador, valendo quase 187 milhões de euros em 2016, e 9% das exportações de calçado do país.

Sinais da vitalidade das nossas indústrias tradicionais, e do bom momento internacional que atravessam.

 

Os números de Guimarães #5

No início de Fevereiro o INE publicou os dados relativos às exportações e importações nacionais de 2016. Os dados do comércio internacional para Guimarães são positivos, um aumento de 17,38% das exportações e de 4,47% das importações, com um saldo da balança comercial (exportações – importações) claramente positivo, superior a 744 milhões de euros.

Compilamos os dados da balança comercial desde 2005 até 2016 para os quatro maiores concelhos do distrito, através dos dados mensais publicados pelo INE para as exportações e importações. Aqui é visível o crescimento da balança comercial em Guimarães, ultrapassada que foi desde 2010 pelo município de Vila Nova de Famalicão.

balanca-comercial
Fonte: Instituto Nacional de Estatística

A semana que passou #7

Estacionamentos e política urbanística

16427550_1552487081433174_1993760653355937585_n
Fotografia retirada do Facebook

Das Taipas chegam ecos, através das redes sociais, da contestação à proposta de arranjo urbanístico da Câmara Municipal para a requalificação do centro da vila, que prevê ruas exclusivamente pedonais, significativas mudanças rodoviárias e redução de lugares de estacionamento.

Repete-se nas Taipas a mesma receita apresentada pela Câmara para a cidade, que também tem merecido constantes reparos. Na passada semana, foi António Monteiro de Castro quem se pronunciou sobre o assunto, trazendo a artigo de opinião o tema que já levara a reunião de Câmara.

Mais de 13000 atendimentos nos Espaços do Cidadão do concelho

171fc14b49a79ea979710de5b3402b30_xlFoi anunciado na semana passada que os 12 Espaços do Cidadão do concelho de Guimarães efetuaram, em 2016, mais de 13 mil atendimentos. Uma boa notícia desta medida de descentralização da Administração Pública, promovendo a proximidade no acesso aos serviços do Estado. Quantos mais atendimentos haveria se, para além dos serviços da Administração Central, estes espaços também oferecessem serviços descentralizados da Câmara Municipal?

Atração de investimento

Na última edição da revista Mais Guimarães, Esser Jorge publicou um artigo em que relata um caso de uma empresa que pretendia investir e instalar em Guimarães uma unidade de Investigação e Desenvolvimento. O caso é exemplar, porque consistente com outros que me chegam por relato direto, mas é o primeiro que vejo descrito publicamente. E demonstra como em Guimarães se governa mais para o número de marketing político do que para resultados concretos.

Famalicão cidade têxtil de Portugal

A Câmara de Vila Nova de Famalicão pretende afirmar a cidade como cidade do têxtil de Portugal. Tem sido bem sucedida neste desígnio, para o que tem contribuído a estratégia de afirmação desta indústria promovida pelo município, o CITEV, a APT. É abrir os jornais ligados ao têxtil e verificar, edição após edição, qual o líder político que mais se afirma na defesa do têxtil, de há anos a esta parte. Não, não é um qualquer membro do Governo. É o Presidente da Câmara de Famalicão, Paulo Cunha.

Enquanto isto, Guimarães, preocupada com outras modas, perde liderança industrial e económica.

Medalha de Honra das Mulheres na Ciência para jovem Vimaranense

567566
Fotografia: sol.pt

A Maria Inês Doutel Almeida foi distinguida com a Medalha de Honra das Mulheres na Ciência, por um consórcio entre a UNESCO, Fundação para a Ciência e Tecnologia e a L’Oreal Portugal. A jovem vimaranense viu assim reconhecido o seu trabalho sobre regeneração de ossos. Uma medalha que honra o seu trabalho, e que honra Guimarães, por ver um dos seus filhos distinguidos em áreas tão importantes. Muitos parabéns, Inês!

Um atentado ecológico como alegoria às políticas de atracção de investimento desta Câmara

 

ecoiberia-foto-sergio-bastos

Estaleiro da Ecoibéria (foto do Arq. Sérgio Bastos)

 

Confesso que nunca pensei escrever estas linhas por duas grandes razões. Primeiro, porque até há bem pouco tempo o PS local achava que a atracção de investimento privado por parte de uma autarquia era uma estupidez e que as propostas que a Coligação Juntos por Guimarães (JPG) fazia nesse sentido eram descabidas. Segundo porque Guimarães está   –  dizem-nos – a trilhar um sólido caminho na candidatura da cidade ou do concelho (ainda não percebi bem) a Capital Verde Europeia (CVE)

No programa de 2009 do PS nada constava sobre atracção de investimento. Em 2013 o tema era ainda polémico no seio do PS que, despudoradamente, copiou a ideia da coligação JPG.  Sem nada de original para apresentar para além de uma suposta continuidade – “Continuar Guimarães” – que, na verdade, se transformou numa ruptura, o PS local, usando a Câmara que ganhou, agarrou-se a duas propostas chave: atracção de investimento e Capital Verde Europeia.

As propostas, em si, não são más. No âmbito da CVE vão surgindo ideias interessantes (e postas em prática de forma bem intencionada), ainda que apresentadas mais como propaganda do que como forma de consciencialização ecológica. Já no âmbito da atracção de investimento, a falta de solidez da ideia (como aliás acontece com todos os plágios) é compensada com uma excessiva vontade de querer mostrar, associando-se a imagem da Câmara a empreendimentos e investimentos para os quais pouco ou nada contribuiu.

Como prova da capacidade de atracção investimento da Câmara apareceu, no cimo de um monte, a Ecoibéria. Aí, como foi notório, a Câmara facilitou, incentivou, ajudou, justificou. Finalmente havia algo para mostrar!

Contudo, o sólido caminho da CVE foi barrado pelos desabamentos de terras do estaleiro da Ecoibéria. E na memória dos vimaranenses ficou a imagem da colisão frontal de um investimento mal pensado com a CVE.

No ar fica a pergunta (e a dúvida legítima): será que os envolvidos no sinistro o conseguirão resolver de forma amigável?

Acredito que sim. Afinal são amigos ou, pelo menos, colegas.