O silêncio dos responsáveis ou gestão de culpas. Vejam, o Rei vai Nu!

Esperámos pelo comunicado do visado, do Vereador, do Presidente da Camara…aguardámos pacientemente a decisão ” o assunto vai ser encaminhado ao departamento dos recursos humanos para investigação e averiguação da pertinência de um processo disciplinar, participação à Ordem dos Arquitetos e eventual participação ao Ministério Público”… mas nada aconteceu, levantou-se o Carmo e a Trindade, mas não se levantou Santa Clara.

Que se passará com o Presidente da Camara? Não pode ser do choque da notícia, afinal seria impossível os processos do senhor arquiteto passarem despercebidos e, além do mais, consta que a sua atividade privada era mais que conhecida, com vídeos no youtube, publicações em revistas, um Google de fama. Além disso falámos da cúpula do executivo, próximo do Sr. Presidente, por si nomeado…pode é ser do choque da comunicação social ter percebido…e está tudo silencioso, tão silencioso que aposto que estão todos convencidos que basta fechar os olhos, bater com os sapatos de rubi e  regressar ao conforto rapidamente sem quaisquer danos após o tufão…

Que dizer então de alguém que pode estar a usar do privilégio de trabalhar na Camara Municipal para obter trabalho no sector privado? Dizemos que faz mal, que tira trabalho aos restantes arquitetos que batalham no mercado para arranjar clientes, que tem acesso a informação privilegiada, que a probabilidade dos seus clientes verem os seus processos beneficiados é enorme, que é injusto para os clientes de arquitetos que não trabalham na Câmara…falamos de concorrência desleal, de falta de ética profissional como arquiteto, da prática de um ilícito disciplinar enquanto funcionário público…

Vamos elevar a fasquia, e que esta pessoa é, também, chefe da Divisão do Departamento Económico, que acompanhou e assinou decisões no processo da Ecoiberia, enquanto chefe de divisão, processo que passaria nos pingos da chuva dos atentados ambientais não fosse a revolta da população de Penselo, e que nesse processo tem trabalho realizado, no privado, (ao que tudo indica) pelo mesmo senhor…

Façamos de conta que em vez de um arquiteto, chefe de divisão, falávamos de um juiz, que decidia ser sócio de uma sociedade de advogados e que não se inibia de dar entrada de processos dos seus clientes no tribunal onde trabalhava…Já percebem onde quero chegar…

A mobilidade na cidade I: o problema

André Coelho Lima apresentou esta semana uma primeira proposta para o seu projeto de cidade, que propõe uma serena revolução no espaço urbano, com estacionamento subterrâneo no Toural e Campo da Feira e reorganização da circulação automóvel na zona.

Muitas têm sido as opiniões emitidas sobre a proposta. Mas vamos pelo princípio: a mobilidade na cidade é um problema? Existe falta de estacionamento na cidade? Há necessidade de alteração do desenho atual da circulação automóvel?

A meio ver a resposta a todas estas questões é uma: sim.

Guimarães.png
Printscreen do Google Maps com indicação de live traffic às 15:30 de 29/03/2017.

A Câmara Municipal de Guimarães concorda também. Tem construído diversos parques de estacionamento na periferia do centro nevrálgico da cidade, alegando que tem de haver mudanças de hábitos. Estes parques de estacionamento caracterizam-se por uma dimensão pequena (Mumadona e Plataforma das Artes) e média (estádio). Mas estas soluções têm sido insuficientes, o que motivou a apresentação do projeto de parque de estacionamento para a Caldeiroa.

E esta insuficiência tem sido também reconhecida pela Câmara Municipal, embora sem o assumir. Senão, como explicar a mudança na política de tolerância zero ao estacionamento irregular neste mandato autárquico? E abriu para estacionamento o recinto da feira semanal, junto ao mercado municipal.

Também os Vimaranenses reconhecem este problema. Veja-se o aumento do estacionamento irregular no terreiro de S. Francisco, na rua de Serpa Pinto, no Largo Martins Sarmento (Largo do Carmo). E a apropriação por privados das paragens de autocarros, às noites e fins-de-semana, na Alameda, Largo República do Brasil e Avenida D. Afonso Henriques. E a sobrelotação do campo das Hortas, do parque da estação da CP, do parque junto ao teleférico.

Mais, a política urbanística seguida pela Câmara tem diminuído significativamente o número de lugares de estacionamento disponíveis na via pública, como foi o caso da rua Dr. José Sampaio, rua Francisco Agra e campo das Hortas. E tudo isto tem levado a que os Vimaranenses que têm de se deslocar ao centro da cidade, em trabalho ou para resolver um qualquer problema quotidiano, tenham de recorrer a parques tão distantes do centro (identificado como Toural) como o GuimarãeShopping, o recinto da feira semanal, o campo das Hortas ou o parque do teleférico.

São os transportes públicos a solução?

Todos concordamos que os transportes públicos em Guimarães precisam de uma mudança urgente, por prestarem um mau serviço público à população. Mas o Francisco Brito lembra bem:

(…) essa rede não vai resolver todos os problemas dos vimaranenses. Como já referi, quer a habitação quer os locais de trabalho estão demasiadamente dispersos para que tal possa acontecer. Para além disso uma boa parte da população activa que reside na cidade não trabalha na cidade. E – pior! – do ponto de vista do acesso pedonal os limites reais da cidade são bastante menores do que os seus limites administrativos. Poucos são os que ousam vir a pé para o centro da cidade dos confins de Mesão Frio, das alturas de Urgeses e de Azurém e até do Salgueiral!

Mais, argumenta acertadamente que não se perspetiva que as mudanças na mobilidade apontem para uma redução do transporte particular:

pensando a 20 anos, essas questões deixam de fazer sentido, uma vez que se estima que, nessa altura, cerca de 60% dos carros que vão circular na UE serão veículos eléctricos. O futuro do sector não aponta para o desaparecimento do transporte individual. Tudo indica que se irá manter, mudando para um registo ecológico e automatizado (sem condutores). Depois, ver uma solução de aparcamento como um problema e ignorar a poluição causada pelos carros que andam às voltas (minutos, horas?) para estacionar é, no mínimo, curioso.

Guimarães é uma cidade de média dimensão, atendendo à sua população. Mas o centro da cidade tem uma dimensão bastante reduzida, mesmo comparando com outras cidades de dimensão semelhante (Braga) ou menor (Póvoa de Varzim, por exemplo).

Uma solução que passe por privilegiar a periferia do centro – como tem defendido a Câmara Municipal – não resolveu o problema. Antes tem contribuído para o lento definhar do centro da cidade. Mas isso é assunto para o próximo post.

“Rua urbana” para EN101

“Queremos que esta via que atravessa a EN101 na Vila de Ponte não seja uma via de atravessamento rápido, mas seja transformada numa rua urbana”

Domingos Bragança apresentou ontem o seu novo plano para a Via do Avepark, que apresenta uma evolução muito significativa face à sua posição inicial. A solução de financiamento encontrada abria a porta a uma solução diferente da via dedicada, com requalificação da EN101, como aqui escrevi no blogue. Essa opção foi seguida, resolvendo o problema dos Vimaranenses e não só do Avepark. É uma boa notícia para Guimarães!

Da minha parte, saúdo a abertura de Domingos Bragança para convergir com André Coelho Lima nesta sua proposta.