A mulher no poder local Vimaranense

O Dia Internacional da Mulher, que hoje se celebra, é ocasião para diversas reflexões sobre a igualdade de género. A participação da mulher na política e na administração pública tem sido uma esfera onde esta reflexão mais se tem feito. Olhamos aqui para o papel da mulher no poder político e na administração pública vimaranense.
2015-12-28-1451345696-3530707-464e1e54d65ce275_10520150_920802287946427_620205038_n.xxxlargeNa análise que a seguir fazemos olhamos para os dados publicados e acessíveis nos sites da Câmara Municipal de Guimarães e das empresas municipais.

No poder local, verificamos que as mulheres respondem por 27% da vereação, 21% das presidências de Junta de Freguesia e 35% dos membros eleitos para a Assembleia Municipal. Feito o cálculo global, as mulheres ocupam 30 destes 108 lugares de eleição direta, correspondendo a 28% dos mesmos.

Olhando para a adminitração pública local, verificamos que as mulheres ocupam 2 chefias de Departamento (29%) e 14 chefias de divisão (61%), numa representatividade global de 53% das chefias do Município.

Pior cenário ocorre quando olhamos para as empresas municipais (focamo-nos apenas nas entidades nas quais a Câmara Municipal de Guimarães tem maioria dos votos, de acordo com o mapa do Orçamento de 2017).

Nos órgãos sociais das empresas municipais e entidades equiparadas, as mulheres ocupam apenas 10% dos lugares. Verifica-se a inexistência de mulheres nos órgãos sociais da Tempo Livre, Taipas Turitermas, Turipenha e Avepark.

Da informação publicada nos respetivos sites, não foi possível encontrar nenhuma mulher a ocupar funções de direção executiva em nenhuma empresa municipal e entidades equiparadas. Ressalva-se a inexistência de informação atualizada sobre a direção executiva da Fraterna e da CASFIG, que segundo nos foi possível apurar eram dirigidas num passado não muito distante por mulheres.

A perpetuação do estereótipo dos papéis de género

EDUCATION/BRITAIN/CLASSSe passarmos da análise quantitativa para uma análise mais fina, ressalta que, nos lugares executivos o papel da mulher está concentrado em determinadas áreas: educação, ação social, recursos humanos. É assim na vereação, onde as duas vereadoras com pelouros assumem estas responsabilidades, e é assim nas empresas municipais e entidades equiparadas, onde as chefias (ainda?) ocupadas por mulheres são na área da ação social (CASFIG e Fraterna).

Verificamos aqui um acantonamento do papel decisório da mulher em áreas que correspondem a papéis femininos nos estereótipos tradicionais dos papéis de género, em particular no universo familiar: educação e ação social.

Há, portanto, um longo caminho a fazer pelos decisores políticos no que toca à igualdade de género.

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